Bruno Smith Magalhães leva o frango no carvão português para Bali
Antigo fotógrafo de surf, português radicado na Indonésia há 16 anos, Bruno abriu em Canggu o Brasa Bali, um restaurante que cruza hospitalidade portuguesa, cultura surfista e vida familiar na ilha
Há percursos que começam no mar e acabam por encontrar novas formas de contar histórias.
No caso de Bruno Smith Magalhães, português ligado durante anos ao surf como fotógrafo profissional, essa viagem levou-o primeiro à imagem, depois à hotelaria e agora à restauração em Bali, onde vive há cerca de 16 anos.
Depois de ter desenvolvido projetos ligados à hospitalidade e ao surf, incluindo um resort próximo de Canggu, Bruno abriu agora o Brasa Bali, um restaurante assente no conceito de Portuguese Charcoal Chicken, levando para uma das zonas mais internacionais da ilha um dos sabores mais simples e reconhecíveis da cozinha portuguesa: o frango assado no carvão.

Para Bruno, o projeto nasce de uma vontade muito clara: criar experiências.
“A fotografia de surf levou-me a viajar pelo mundo e a conhecer pessoas de diferentes culturas. Durante muitos anos vivi da imagem, mas percebi que aquilo que mais gostava era criar experiências. Primeiro foi através da fotografia, depois através da hospitalidade”, explica.
A restauração surgiu como uma extensão natural desse percurso.
“Sempre gostei de receber pessoas, criar ambientes descontraídos e fazer com que alguém levasse uma boa memória de Bali. A comida também é uma forma de criar momentos e aproximar pessoas.”

Bali como segunda casa
Bruno chegou à Indonésia há cerca de 16 anos e encontrou em Bali um lugar que acabaria por transformar a sua vida.
A ilha, hoje um dos grandes centros mundiais da cultura surfista, tornou-se o espaço onde construiu família, criou projetos e desenvolveu uma ligação profunda entre Portugal e a Indonésia.

“Cheguei à Indonésia há cerca de 16 anos e senti logo que este era um lugar especial. Tem ondas incríveis, uma cultura muito rica e uma energia muito própria. Com o passar do tempo comecei a construir uma vida aqui. Foi em Bali que formei a minha família, nasceram os meus filhos e onde decidi investir a longo prazo. Hoje sinto-me ligado tanto a Portugal como a Bali.”
O surf foi a porta de entrada. A fotografia abriu caminho. A hospitalidade consolidou a sua presença na ilha.
Antes do Brasa, Bruno já tinha criado um resort de surf próximo de Canggu, pensado para receber surfistas, famílias e viajantes que procuravam uma experiência autêntica em Bali.
“O resort de surf nasceu precisamente da vontade de proporcionar uma experiência autêntica a quem vinha conhecer Bali. Muitos hóspedes eram surfistas, mas também famílias e viajantes que procuravam sentir-se em casa. Esse projeto ensinou-me muito sobre hospitalidade e sobre a importância dos pequenos detalhes. No Brasa aplico exatamente essa filosofia: receber cada cliente como um convidado.”
Frango no carvão português em Canggu
A ideia do Brasa Bali nasceu da saudade dos sabores de Portugal.
Num destino repleto de conceitos internacionais, restaurantes de autor, cafés de nómadas digitais e propostas gastronómicas de todo o mundo, Bruno sentiu que ainda havia espaço para algo português, simples, direto e autêntico.

“Sentia falta dos sabores de Portugal, principalmente da simplicidade de um bom frango assado no carvão. Em Bali existem muitos restaurantes internacionais, mas praticamente não havia um conceito português focado neste prato tão tradicional. Achei que podia apresentar algo simples, autêntico e cheio de sabor, respeitando as receitas portuguesas mas adaptando-as ao mercado internacional.”
O fogo, diz Bruno, é uma parte essencial dessa identidade.
“As pessoas procuram cada vez mais comida verdadeira, feita com bons ingredientes e sem complicações. O fogo tem uma ligação muito forte à cozinha portuguesa e transmite autenticidade. O Brasa não pretende reinventar a tradição; pretende fazê-la bem, com qualidade e consistência.”
Portugal no prato e no ambiente
No Brasa, a ligação a Portugal aparece no sabor, mas também no espaço.
As marinadas inspiram-se em receitas portuguesas, o frango é sempre cozinhado no carvão e a decoração inclui referências aos azulejos, às cores e à hospitalidade portuguesa.

“Quis trazer um pouco de Portugal para Bali. O sabor é a prioridade, com marinadas inspiradas nas receitas portuguesas e o frango sempre cozinhado no carvão. A decoração inclui referências aos azulejos portugueses, tons inspirados no nosso património e um ambiente simples, acolhedor e descontraído. Mais do que um restaurante, quero que as pessoas sintam um pouco da hospitalidade portuguesa.”
A reação em Canggu, zona marcada por surfistas, residentes estrangeiros, turistas e nómadas digitais, tem sido positiva.
“É interessante ver pessoas de diferentes países descobrirem sabores portugueses pela primeira vez. Muitos clientes voltam poucos dias depois e isso é o melhor indicador de que estamos no caminho certo. O objetivo sempre foi criar um restaurante onde tanto um português se sinta em casa como um estrangeiro descubra algo novo.”
Da fotografia à identidade visual
A experiência como fotógrafo de surf também entrou no processo de criação do restaurante.

Bruno acredita que a fotografia lhe deu sensibilidade para a luz, para a composição, para a simplicidade e para a coerência visual. Elementos que tentou transportar para a identidade do Brasa, desde o logótipo até ao ambiente do espaço.
“A fotografia ensinou-me a importância da simplicidade, da luz e da composição. No Brasa tentei aplicar essa mesma sensibilidade. Desde o logótipo ao design do espaço, tudo foi pensado para transmitir autenticidade, sem excessos. Gosto que a identidade visual conte uma história e seja coerente com aquilo que servimos no prato.”
Um projeto com dimensão familiar
Bruno vive em Bali com os dois filhos e olha para os seus projetos numa lógica de longo prazo.
Mais do que abrir um restaurante, quer construir algo sólido, com identidade e continuidade.

“É talvez o mais importante de tudo. Quero construir algo sólido, que tenha continuidade e que os meus filhos possam um dia olhar com orgulho. Empreender nunca é fácil, mas quando existe um propósito familiar ganha-se outra motivação para ultrapassar os desafios.”
Depois do surf, da fotografia, do resort e agora do Brasa Bali, Bruno sente que tem vindo a criar uma ponte entre Portugal, Bali e a cultura surfista que o levou até à Indonésia.
“O surf trouxe-me até Bali e Portugal deu-me as raízes e a identidade que continuo a querer partilhar. O Brasa é uma forma de aproximar esses dois mundos. No futuro gostaria de continuar a desenvolver projetos ligados à hospitalidade e à gastronomia portuguesa, sempre com a mesma ideia: mostrar o melhor de Portugal num contexto internacional, sem perder autenticidade.”
Uma versão de casa do outro lado do mundo
Quando olha para trás, Bruno reconhece que Bali se tornou a sua segunda casa.

“Portugal será sempre o meu país e faz parte de quem eu sou, mas Bali tornou-se a minha segunda casa. Foi aqui que cresci enquanto pessoa, construí uma família, ultrapassei muitos desafios e transformei paixões em projetos de vida.”
No fundo, o Brasa Bali representa essa síntese: raízes portuguesas, vida na Indonésia, cultura surfista e vontade de receber bem.
“O Brasa representa exatamente isso: a união entre as minhas raízes portuguesas e a vida que construí em Bali. Se, através da comida, conseguir fazer alguém sentir-se em casa — mesmo estando do outro lado do mundo — então sinto que todo este percurso fez sentido.”
Em Canggu, entre surfistas, viajantes e residentes de várias partes do mundo, Bruno Smith Magalhães está agora a servir um pedaço de Portugal no coração de Bali.

Entrevista na integra:
Bruno, começaste por ser conhecido no meio do surf como fotógrafo profissional. Como é que esse percurso ligado ao mar e à imagem acabou por te levar também ao mundo da hotelaria e da restauração em Bali?
A fotografia de surf levou-me a viajar pelo mundo e a conhecer pessoas de diferentes culturas. Durante muitos anos vivi da imagem, mas percebi que aquilo que mais gostava era criar experiências. Primeiro foi através da fotografia, depois através da hospitalidade. Sempre gostei de receber pessoas, criar ambientes descontraídos e fazer com que alguém levasse uma boa memória de Bali. A restauração acabou por surgir de forma muito natural, porque a comida também é uma forma de criar momentos e aproximar pessoas.
Bali é hoje um dos grandes centros mundiais da cultura surfista. O que te fez escolher esta ilha para viver, criar família e desenvolver os teus projetos?
Cheguei à Indonésia há cerca de 16 anos e senti logo que este era um lugar especial. Tem ondas incríveis, uma cultura muito rica e uma energia muito própria. Com o passar do tempo comecei a construir uma vida aqui. Foi em Bali que formei a minha família, nasceram os meus filhos e onde decidi investir a longo prazo. Hoje sinto-me ligado tanto a Portugal como a Bali.
Antes deste restaurante, já tinhas aberto um resort próximo de Canggu. Que ligação existe entre esse projeto, o surf e a forma como queres receber as pessoas em Bali?
O resort de surf nasceu precisamente da vontade de proporcionar uma experiência autêntica a quem vinha conhecer Bali. Muitos hóspedes eram surfistas, mas também famílias e viajantes que procuravam sentir-se em casa. Esse projeto ensinou-me muito sobre hospitalidade e sobre a importância dos pequenos detalhes. No Brasa aplico exatamente essa filosofia: receber cada cliente como um convidado.
O Brasa Bali nasce com o conceito de “Portuguese Charcoal Chicken”. Como surgiu a ideia de levar o frango no carvão português para Canggu?
Sentia falta dos sabores de Portugal, principalmente da simplicidade de um bom frango assado no carvão. Em Bali existem muitos restaurantes internacionais, mas praticamente não havia um conceito português focado neste prato tão tradicional. Achei que podia apresentar algo simples, autêntico e cheio de sabor, respeitando as receitas portuguesas mas adaptando-as ao mercado internacional.
Sendo português e vivendo há vários anos na Indonésia, sentiste que havia espaço em Bali para um conceito de comida portuguesa mais simples, autêntica e ligado ao fogo?
Sem dúvida. As pessoas procuram cada vez mais comida verdadeira, feita com bons ingredientes e sem complicações. O fogo tem uma ligação muito forte à cozinha portuguesa e transmite autenticidade. O Brasa não pretende reinventar a tradição; pretende fazê-la bem, com qualidade e consistência.
Que elementos da cultura portuguesa quiseste manter no Brasa — no sabor, no espaço, na decoração ou na experiência de quem entra no restaurante?
Quis trazer um pouco de Portugal para Bali. O sabor é a prioridade, com marinadas inspiradas nas receitas portuguesas e o frango sempre cozinhado no carvão. A decoração inclui referências aos azulejos portugueses, tons inspirados no nosso património e um ambiente simples, acolhedor e descontraído. Mais do que um restaurante, quero que as pessoas sintam um pouco da hospitalidade portuguesa.
Canggu é uma zona muito internacional, com surfistas, nómadas digitais, turistas e residentes de várias partes do mundo. Como tem sido a reação das pessoas ao conceito do Brasa?
Tem sido muito positiva. É interessante ver pessoas de diferentes países descobrirem sabores portugueses pela primeira vez. Muitos clientes voltam poucos dias depois e isso é o melhor indicador de que estamos no caminho certo. O objetivo sempre foi criar um restaurante onde tanto um português se sinta em casa como um estrangeiro descubra algo novo.
Há alguma ligação entre a tua visão como fotógrafo de surf e a forma como pensaste a identidade visual do restaurante, desde o logo até ao ambiente do espaço?
Sim, bastante. A fotografia ensinou-me a importância da simplicidade, da luz e da composição. No Brasa tentei aplicar essa mesma sensibilidade. Desde o logótipo ao design do espaço, tudo foi pensado para transmitir autenticidade, sem excessos. Gosto que a identidade visual conte uma história e seja coerente com aquilo que servimos no prato.
Vives em Bali com dois filhos. Que importância tem para ti construir projetos que também tenham uma dimensão familiar e de longo prazo na ilha?
É talvez o mais importante de tudo. Quero construir algo sólido, que tenha continuidade e que os meus filhos possam um dia olhar com orgulho. Empreender nunca é fácil, mas quando existe um propósito familiar ganha-se outra motivação para ultrapassar os desafios.
Depois do resort e agora do Brasa Bali, sentes que estás a criar uma espécie de ponte entre Portugal, o surf e Bali? Que outros sonhos ou projetos tens para o futuro?
Acho que sim. O surf trouxe-me até Bali e Portugal deu-me as raízes e a identidade que continuo a querer partilhar. O Brasa é uma forma de aproximar esses dois mundos. No futuro gostaria de continuar a desenvolver projetos ligados à hospitalidade e à gastronomia portuguesa, sempre com a mesma ideia: mostrar o melhor de Portugal num contexto internacional, sem perder autenticidade.
Quando olhas para o teu percurso — surf, fotografia, Bali, família, resort e agora restaurante — sentes que encontraste aqui a tua própria versão de casa?
Sem dúvida. Portugal será sempre o meu país e faz parte de quem eu sou, mas Bali tornou-se a minha segunda casa. Foi aqui que cresci enquanto pessoa, construí uma família, ultrapassei muitos desafios e transformei paixões em projetos de vida. O surf trouxe-me até esta ilha, a fotografia abriu-me portas, e hoje a restauração permite-me partilhar um pouco da cultura portuguesa com pessoas de todo o mundo.
No fundo, o Brasa representa exatamente isso: a união entre as minhas raízes portuguesas e a vida que construí em Bali. Se, através da comida, conseguir fazer alguém sentir-se em casa — mesmo estando do outro lado do mundo — então sinto que todo este percurso fez sentido.





