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quinta, 30 abril 2020 16:25

"Os clubes de Surf têm de se profissionalizar" - Pedro "Pecas" Monteiro

...sem dúvida, que a Federação deverá acompanhar estrategicamente esta visão....

 

Na sequência da notícia da Federação Francesa de Surf e das possibilidades de abertura das praias naquele País, certamente coordenada com as diversas autoridades Francesas, FFS e clubes. E por que em Portugal a Federação Portuguesa de Surf também ter feito uma proposta para utilização das ondas, fomos saber como estão os Clubes de Surf em Portugal. Estes desempenham um papel importante por estarem no terreno, conhecerem bem a área, atletas, free surfers, hábitos, costumes e necessidades. Na verdade do ponto de vista externo com o boom das escolas de surf, os clubes “apagaram-se” um pouco.

Quais serão os motivos?  Pouca competição a nível colectivo?
Pouca representação local?
Falta Dirigentes?
Fomos tentar saber junto de alguns dos principais Clubes de Surf a nível nacional.

 

 

 

Responde o Centro Recreativo e Cultural da Quinta dos lombos  representado por Pedro "Pecas" Monteiro:

 

 

 

 

"Os clubes têm de se profissionalizar .... sem dúvida, que a Federação Portuguesa de Surf

acompanhe estrategicamente esta visão."

 

 

 

 

 

 


Surftotal: Nos últimos anos tem-se verificado menor actividade e visibilidade dos Clubes, concordas? Se sim tens alguma explicação para isso?

Pecas - Para mim é difícil aceitar que se ache que há uma menor atividade dos clubes, isto quando pertenço a um que é muito ativo e acompanho igualmente o empenho de outros clubes nos últimos anos. No geral, penso não ser uma questão de haver menos atividade, mas sim, menos visibilidade.
Há uns anos, quando eramos mais novos, só havia os clubes como entidade e o espírito de clube fazia-se sentir e dava-nos um grande orgulho porque representava a nossa praia e o nosso grupo de amigos. Competíamos todos juntos nos circuitos locais e depois íamos juntos para os circuitos nacionais e campeonatos de clubes. Quem geria e organizava os clubes sempre o fez num espírito de associativismo, passando o legado dos mais velhos para os mais novos, dando o exemplo de interajuda e de comunidade.
Em meados de 2000 começaram a aparecer as escolas de surf trabalhando numa área muito importante que até a data não existia: o ensino de surf, a formação e as condições para acompanhar miúdos que quisessem desenvolver o seu surf. A partir dessa altura o número de escolas aumentou por todo o País. Formaram-se treinadores e o negócio começou a crescer a grande velocidade surgindo os primeiros atletas dessa geração e viabilizando a vida de “bicho de praia” que todos desejavam que tivesse continuidade.
Nos anos seguintes o surf começou a entrar no “tecido” da nossa sociedade e o negócio do surf começou a prosperar em diferentes áreas de forma exponencial. Essa evolução foi tão grande, que as instituições com os seus modelos amadores não acompanharam ficando para trás e as tais escolas faziam uma parte de papel de clube. No entanto, isso tem mudado e já começo a observar os clubes por todo o país com uma atitude diferente, de norte a sul e ilhas. Sem dúvida que os clubes começam a estar mais virados para o modelo de formação mantendo a sua missão.
Há aqui um ponto determinante: os clubes têm de se profissionalizar (em todos os sentidos), de maneira a captar a atenção devida e reconhecimento da importância do seu papel e precisa, sem dúvida, que a Federação acompanhe estrategicamente esta visão.

 

 

 

 

"O espírito do clube permite que haja uma grande solidariedade

por parte dos pais dos alunos e da ajuda das entidades locais"

 

 

 

 

 



Surftotal: Como tem sido a vida dos Clubes nos últimos tempos?


Pecas - Os tempos têm sido difíceis para todos, claro, mas no nosso clube não tem faltado motivação para sermos todos criativos e mantermos os nossos associados activos. Temos feito o nosso programa de “Home Surf Schooling” com os alunos e atletas e tem corrido muito bem. Os treinadores têm feito um trabalho incrível, e, dentro deste conceito, os mesmos têm desenvolvido conteúdos pedagógicos e alternativos ao surf (não) praticado no mar, de modo a manterem-nos ligados a eles, treinadores, ao clube e ao surf para que o crescimento deles como surfistas.
É evidente que já estamos todos no limite, mas temos que nos manter firmes e focados até que seja viável retomar a nossa actividade na praia.
Ao nível financeiro tivemos de tomar medidas pesadas adaptadas ao contexto. Estamos contentes que o espírito de clube permita que haja uma grande solidariedade por parte dos pais dos alunos e da ajuda das entidades locais.
Neste momento o nosso foco é mantermo-nos sãos, continuarmos este trabalho que temos desenvolvido estando atentos às directrizes das condições e medidas no regresso à nossa actividade na praia. Estamos desejosos de voltar ao Mar.

 

 

 

"Estamos desejosos de voltar ao Mar."

 

 



Surftotal:Tem havido ou está previsto algum tipo de contacto e/ou apoio de entidades desportivas a nível local e nacionais.

Pecas - Sim todos os contatos e apoios são importantes. A FPS, a Capitania de Cascais, a Câmara Municipal de Cascais, o IPDJ, a Segurança Social, estão de certa forma a fazer esforços para que a nossa actividade sobreviva e volte à normalidade, mas há muitas incertezas e poucos recursos.

 

 

 

 

"As entidades têm agora a oportunidade perfeita para reorganizar

as praias e criar as condições para todos,

implementando políticas adequadas a cada praia"

 

 

 



Surftotal:Sabendo que todas as praias têm características diferentes, considera que clubes deveriam estar de alguma forma envolvido na abertura das praias?
Os clubes têm um papel fundamental na abertura das praias onde estão sediados e não é por acaso que já fomos solicitados pelas entidades locais a dar as nossas sugestões sobre essa mesma abertura. Acreditamos que ao sermos integrados com os nossos contributos na solução, podemos ajudar na organização e boas praticas da praia e do mar. Sempre foi assim. Os surfistas sempre tiveram essa capacidade, esse conhecimento, e nós clubes somos uma mais valia sem dúvida.

Surftotal: Algo mais a acrescentar?

Pecas - Em primeiro lugar, penso que nós devemos como surfistas na sua essência, poder voltar ao mar de forma individual e responsável. Dizer também que as entidades têm agora a oportunidade perfeita para reorganizar as praias e criar as condições para todos, implementando políticas adequadas a cada praia.

 

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