OS DIAS DA NOSSA CAMPEÃ NACIONAL YOLANDA HOPKINS FORA DA COMPETIÇÃO FOTO:WSL/LAURENT MASUREL

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quarta, 25 março 2020 16:48

OS DIAS DA NOSSA CAMPEÃ NACIONAL YOLANDA HOPKINS FORA DA COMPETIÇÃO

Neste período de pausa forçada...

 

Nos últimos anos Yolanda Hopkins mostrou ser uma força a ser reconhecida no panorama do surf nacional, bem como mundial.

Após ter vencido o titulo de Campeã Nacional em 2019, a surfista algarvia mostra-se focada em competir ao lado da elite mundial no Championship Tour (CT) tendo iniciado esta temporada da Qualifying Series em grande força.

Contudo, o surto de covid-19 que tem atingindo Portugal e o mundo veio atrapalhar os planos da nossa atleta pelo que a Surftotal esteve a conversa com Yolanda Hopkins para saber como vive estes dias e que impacto é que esta situação está a ter na sua vida.

 

 

FOTO: WSL/PABLO JIMENEZ

 

 

Tiveste um bom início de temporada competitiva no QS este ano. Conseguiste atingir os teus objectivos nas etapas em que competiste?

Sim, achei que tive um inicio de temporada muito bom este ano com o campeonato na China e em Tenerife. Cheguei aos quartos-de-final no primeiro campeonato na Austrália mas depois quando cheguei ao evento de 3.000 pontos achei que não estava a mostrar a minha performance e acabei por sair na segunda ronda. Definitivamente não estava a surfar o meu surf, não estava exatamente em mim. O meu treinador, o John, foi ter comigo, procurámos soluções e quando voltei para Newcastle correu muito melhor, mas mesmo assim fiquei pela ronda 4. Achei que podia ter ido mais longe, que podia ter corrido melhor. Tive muitos altos e baixos na Austrália. Quando fui para Manly passei a primeira ronda, mas na segunda ronda também não consegui encontrar nenhumas ondas que me dessem scores altos e acabei por ficar por ali. Depois de fazer o campeonato de Sydney eu e o John fomos mais cedo para Piha para treinar e surfámos ondas muito boas lá na Nova Zelândia. Estava cheia de pica para começar o segundo evento de 10.000 pontos e estava confiante no meu surf. Acho que se o campeonato tivesse sido realizado eu teria ido muito longe.

 

Tendo em conta a situação em que vivemos e o facto da WSL ter cancelado várias etapas do tour, quais sãos os teus objectivos para esta temporada?

Esta situação do coronavírus abalou um bocado o mundo. Eu achei muito bem a WSL ter adiado os campeonatos porque havia a possibilidade dos atletas ficarem infetados e isso não era bom. Eu vejo a situação de um ponto de vista positivo. Dá-me tempo para trabalhar o meu psicológico e também o meu físico. Uma vez que não há muitas possibilidades de surfar, apenas dedico-me a 110% para tentar melhorar certos aspetos do meu surf, mesmo que seja fora de água, porque o surf é muito psicológico, muito mais do que as pessoas pensam.

O meu objetivo depois disto é, quando voltar a retomar a competição, chegar lá e demonstrar o meu melhor surf possível. Não tenho dúvidas de que se surfar o meu melhor surf em todos os campeonatos vou chegar ao Tour este ano.

 

 

FOTO: WSL/DAMIEN POULLENOT

 

 

Estavas na Nova Zelândia quando soubeste que a WSL tinha tomado esta decisão. Como foi receber esta notícia?

Eu estava em Piha, na nova Zelândia, quando soube que a WSL tinha cancelado o campeonato e foi um pouco chato porque já tinha voos pagos. Tive sorte porque como estava em casa de amigos do meu treinador não tive de pagar estadia, mas perdi bastante dinheiro. Dinheiro que não tinha para perder, mas acabou por ser uma boa decisão. Sei que a WSL não cancelou o campeonato, apenas adiou, por isso pelo menos já sei como o pico funciona e tento ver tudo pelo lado positivo.

 

Foi fácil regressares a Portugal ou tiveste dificuldade em conseguir um voo de regresso ao País?

Por acaso foi bastante fácil chegar a Portugal. Fui de Auckland, na Nova Zelândia, para Doha, que é perto do Dubai. O voo só teve uma escala e depois foi direto para Lisboa. Apenas tivemos que usar as máscaras no aeroporto. Não foi muito complicado chegar, mesmo depois de já haver vários casos (de pessoas infetados por covid-19) em Portugal.

 

 

FOTO: WSL/LUIS BARRA

 

 

Como estás a lidar com esta situação que é nova para todos?

Estou a tentar não me focar no lado negativo, pensar que vamos todos ultrapassar isto, seguir em frente e voltar às nossas vidas normais.

 

Como tens ocupado o teu tempo?

Tenho cuidado das minhas pranchas. Como vivo numa casa grande temos sempre trabalho manual para fazer por aqui, coisas para arranjar, por isso tenho ajudado nisso. Tenho feito bastante exercício físico e visto muitos filmes de surf para tentar melhorar a minha técnica, mesmo fora de água, esperando que tudo isto passe o mais depressa possível para poder voltar a surfar todos os dias, 4 vezes por dia.

 

Queres deixar uma mensagem para os leitores da Surftotal?

A única coisa que posso dizer é que espero que todos fiquem sãos e salvos. Não tomem más decisões, como surfar num pico com bastantes pessoas, isso só vai prolongar esta situação e impedir-nos de surfar como queremos. Esse tipo de ações é bastante egoísta, por isso espero que pensem antes de as fazerem e fiquem em quarentena para que isto passe mais rápido. 

 

FOTO: WSL/DAMIEN POULLENOT

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