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segunda-feira, 23 março 2020 17:40

O NOVO PROJETO DE NIC VON RUPP NUMA ENTREVISTA EXCLUSIVA À SURFTOTAL

Sobre a sua série e estes dias passados em casa...

 

 

Nic Von Rupp é um dos mais respeitados e admirados surfistas portugueses da atualidade. 

O surfista luso tem vindo a deixar o seu nome entre a elite de ondas grandes mostrando a qualidade do surf dos big riders nacionais. Na última temporada de ondas grandes de inverno o surfista da Praia Grande ficou entre os 10 melhores surfistas de ondas grandes do mundo, mas tal como todos nós tem estado afastado do surf devido a este período de quarentena voluntária em que nos encontramos devido à pandemia de Covid-19 que atingiu o nosso país e o mundo.

Esta é uma altura de recolhimento para Nic Von Rupp, mas o nosso surfista tem aproveitado cada momento e prova disso é o lançamento da sua nova série “Von Froth” já esta quarta-feira.

A Surftotal falou com o bigrider que nos contou como tem passado estes dias longe do surf e o que podemos esperar deste seu novo projeto.

 

          

 

Como estás a lidar com esta situação que é nova para todos?

Estou fechado há 10 dias em casa. Acho que é difícil para nós surfistas. Sempre tivemos uma grande liberdade, viajar quando quiséssemos, surfar quando quiséssemos, ir para a praia quando quiséssemos, de repente estarmos fechados não é fácil para ninguém. Mas por outro lado eu tive uma temporada muito intensa na Nazaré sempre a surfar ondas gigantes e até me está a saber bem. Já não fazia isto, aliás até acho que nunca fiz, estar em casa simplesmente a tratar de coisas simples como arrumar o armário, algo que estou para fazer há anos, ou limpar a casa. São coisas que nunca fiz e agora tenho tempo para fazê-las. O mais difícil é realmente não poder fazer surf, mas tenho feito uns exercícios físicos que me têm distraído. O objetivo é manter-me ativo para também ver luz ao fundo do túnel.

 

O que significa para ti estares longe da competição e que impacto é que este afastamento forçado terá neste teu ano competitivo?

Onde eu ponho o meu foco neste momento é nas ondas grandes. Esse é o meu trabalho, o campeonato de Jaws, o campeonato da Nazaré, isso é que é a minha competição, a temporada de ondas grandes de inverno que já acabou, portanto “mission acomplished”. Tive boas prestações em ambos os eventos, qualifiquei-me outra vez para o circuito mundial de ondas grandes do próximo ano. Fiquei entre os 10 melhores surfistas de ondas grandes do mundo, que é o mais importante. Agora realmente tinha-me inscrito em alguns eventos do QS e estava para me inscrever no circuito nacional e é uma pena. Estava com pica, por acaso. Surfar umas ondas pequenas e tirar uns resultados, mas é assim.

 

                

 

Como tem sido para ti estares privado de surfar?

Estar privado do surf é complicado. O mar tem estado mau, mas quando começarem a dar umas ondas vai ser muito difícil estar em casa. Acho que saiu uma lei que diz que atletas de alto rendimento podem ir surfar, por isso não sei como é que vai ser. Estou a respeitar a quarentena ao máximo. Tenho estado em casa, só saio quando é absolutamente necessário e é isso. “There will always be another swell”, como se diz, e a verdade é que vai sempre haver outro swell se respeitarmos isto.

 

Como tens ocupado o teu tempo?

Tenho estado a tratar do lançamento de uma série de youtube. Apressei o lançamento da série porque sinto que é necessário mostrar às pessoas que estão fechadas em casa que há vida para além desta nossa nova realidade neste momento, que todos nós vamos sair daqui e vamos voltar à vida normal. Portanto tenho estado a trabalhar aqui no duro para lançar a série esta semana.

 

        

 

Deste a esta série o nome de “Von Froth”. Há alguma história por detrás do nome?

A palavra “froth” significa espuma e o nome Von Froth surgiu porque a malta nos Estados Unidos diz que eu sou um gajo rápido, que estou sempre a andar de um lado para o outro como um cão, a espumar-se, mas de uma forma positiva. É daí que vem a alcunha Von Froth. Este nome faz todo o sentido para esta série de Youtube porque o youtube é isso mesmo, conteúdos rápidos, filmados diariamente, sem grande produção, simplesmente para manter as pessoas informadas de o que é que se passa. O objetivo é esse.

 

O que podemos esperar deste teu novo projeto?

A série de youtube mostra a minha vida normal nos últimos meses. Estive estes últimos três meses a filmar, juntamente com o Mendo de Dornellas e o Ricardo Pina, que colaboram os dois na parte de edição e filmagem. A série conta com outra malta. Com a colaboração do Hugo Almeida, Gastão Entrudo, Pedro Miranda, da Máquina Voadora. O design foi feito pela Partners, pelo Ivo Purvis e o André Sentieiro, portanto há aqui muito talento unido para fazer uma série e torná-la o mais viável possível.

 

       

 

A série vai ser composta por quantos episódios?

A série vai ser composta por 12 episódios de 15 minutos cada, que serão lançados 2 vezes por mês durante um período 6 meses.

 

E o que podemos ver já neste primeiro episódio?

O primeiro episódio vai ser sobre a Nazaré, sobre a preparação para o campeonato da Nazaré. Vai ser sobre o dia antes da competição, o dia da competição e o drástico final. O Alex é um grande amigo meu, nós viajámos a vida inteira e para mim foi um momento muito drástico de ver a realidade do nosso desporto perante os nossos olhos.

 

       

 

Queres deixar uma mensagem para os leitores da Surftotal?

Quero passar a mensagem que não está a ser fácil para ninguém estar em casa, longe do surf, longe dos amigos, longe da natureza, mas é pelo bem do futuro do nosso país e é pelas pessoas mais frágeis que estamos a fazer isto. É temporário, não é para sempre, é pensar assim, que há luz ao fundo do túnel e que vamos sair todos daqui mais fortes e vamos apreciar as coisas mais simples da vida de uma forma mais natural. É exatamente nisso que temos de nos focar.


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