Travis Reynolds numa sala de shape, o que ele mais gosta. Travis Reynolds numa sala de shape, o que ele mais gosta. Foto: Lisa Marie Bosbach

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sexta, 30 novembro 2018 21:05

Travis Reynolds - Um shaper criativo durante 10 dias na Ericeira

Fomos saber como correu a experiência… 

 

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Travis Reynolds é um shaper conhecido pela sua criatividade, mas também por gostar de se envolver em todas as fases do processo de fabrico de uma prancha de surf. A inspiração vem um pouco de todo o lado, do desenho, da pintura, da madeira e da fotografia.

Na última década colaborou com artistas de diversas áreas, comprovando em pleno toda a sua versatilidade, e faz parte da Creators & Innovators da VISSLA

Diretamente da Califórnia, um destes dias rumou à Ericeira para um “estágio artístico” de 10 dias. Vê como correu… 

 

O que esperas encontrar em Portugal?

Travis Reynolds - Esta é a minha segunda vez em Portugal. É um lugar mágico... as pessoas, a comida e eu amo o surf daqui! O litoral e as ondas são muito parecidos com os spots ao redor da minha casa em Santa Cruz. A primeira vez que vim, há dois anos, com a minha família, não tínhamos expetativas, mas assim que chegámos à encantadora Ericeira, apaixonamo-nos e soubemos que um dia estaríamos de volta.

 

Que tipo de trabalho vieste desenvolver à Ericeira? 

Nesta viagem fui convidado para voltar à Ericeira onde me ofereceram uma presença de shaper/criativo na Magic Quiver Surfshop em conjunto com o seu Surf Lodge. Enquanto eu lá estivesse, a ideia era criar o máximo possível entre as sessões de surf e o sono. Estive acompanhado por dois artistas incríveis e amigos de longa data, o Cameron Lacki de Santa Cruz e o Julian Smith que também é da Califórnia, mas vive atualmente em Maiorca, Espanha. Ficámos num dos belos espaços do Mário e da Patrina, com vista para o oceano e o porto, e criámos um ambiente de estúdio de arte. Os meus dias por lá foram perfeitos - depois de um longo dia a shapear pranchas personalizadas para a Magic Quiver e para os seus clientes espalhados por toda a Europa, encontrávamo-nos para uma surfada e mais tarde terminávamos com um jantar ao estilo familiar. No apartamento, encontrámos tempo para colaborar numa grande pintura conjunta. Foi uma viagem muito inspiradora e produtiva, e super especial por os meus melhores amigos lá estarem!

 

"Faço esculturas personalizadas que permitem que as pessoas 

tenham alguns dos momentos mais bonitos da sua vida"

 

 

Ao nível de shape e construção de pranchas de surf, és conhecido por gostar de “meter a mão” do início ao fim. Ou seja, manufaturação no seu expoente máximo. Fala-nos disso… 

Eu tenho conseguido shapar e fazer também parte do processo de “glassing” em todas as minhas pranchas. No entanto, hoje em dia, estou a ficar muito ocupado com o shape e com menos tempo, por vezes já não consigo estar em todos os processos. Felizmente, trabalho com pessoas talentosas que me têm vindo a ajudar. Eu orgulho-me muito do tempo despendido e da dedicação, que eu e todas as pessoas têm colocado no fabrico das minhas pranchas. No final, acredito que o produto mostra bem isso.

 

De todo o processo de fabrico, qual o que mais te agrada e consideras mais importante. Porquê?

Sinceramente, eu gosto de todo o processo, desde o corte, à laminação e acabamento. Nenhum é fácil e são todos muito sujos, mas não consigo imaginar uma forma mais gratificante de passar os meus dias a trabalhar. Eu basicamente faço esculturas personalizadas que permitem que as pessoas tenham alguns dos momentos mais bonitos da sua vida, isto à medida que se ligam com a natureza. No final o mais importante para mim é que 1) as pranchas funcionem; 2) durem muito tempo; e 3) que sejam boas.

 

Onde vais encontrar inspiração para os teus shapes e desenhos?

A inspiração para fazer tudo o que faço vem realmente da minha paixão por criar e por usar as minhas mãos ao fazer isso. O meu amor por isso e pela conexão com o oceano é o catalisador para me manter a fazer tudo o que faço. A minha arte inspira o trabalho de cores usado nas pranchas e os materiais das mesmas inspiram as minhas pinturas.

 

"Orgulho-me muito do tempo despendido e da dedicação,

que eu e todas as pessoas colocam no fabrico das pranchas"

 

 

 

O Surf evoluiu muito a nível mundial nos últimos anos. De uma forma geral, onde se encontra o shape atualmente? E já agora, para onde caminha o Surf?

Parece que o surf está a caminhar em vários sentidos mais do que nunca. Podemos realmente ver isso com todas as formas e tecnologias diferentes de pranchas que encontramos na água. Tudo, desde vintage a carbono passando por epoxy e resina e até mesmo madeira e foam (softboards). É muito bom que exista tanta variedade, algo apropriado para qualquer estilo e qualquer tipo de onda. Eu sinto que as pranchas de surf estão a caminhar no bom sentido e que vamos passar a ver os novos materiais a serem mais procurados, levando a que a ligação dos surfistas com as suas pranchas fique mais refinada. 

 

 

De acordo com a tua experiência, há um tipo de shape que seja mais popular e procurado. Se sim, qual?

Eu shapo uma gama ampla de pranchas… desde performance shortboards a longboards clássicos. De tempos a tempos, os shapes diferentes ganham popularidade, mas as tendências vêm e vão. Acima de tudo há muitas pessoas a pedir e a demonstrar interesse por Twin fins. Em diferentes shapes e tamanhos. A minha favorita para andar neste momento é uma Fish adocicada. Parece que estamos num lugar muito bom. É muito engraçado!

 

Última questão. Como se processou a tua ligação à Vissla? 

Eu fui apresentado à equipa da Vissla há 3 anos por Thomas Campbell. Ele sentiu que faríamos uma boa parceria e não se enganou! Não posso estar mais feliz com o apoio e as amizades que ganhei desde que ingressei nesta família. 

 

"É muito bom que exista tanta variedade,

algo apropriado para qualquer estilo e qualquer tipo de onda"

 

 

 

 

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