Griffin Colapinto Griffin Colapinto WSL / Poullenot segunda-feira, 14 março 2022 08:34

MEO Pro Portugal - a análise do juíz internacional Pedro Barbosa

O juíz internacional Pedro Barbosa faz uma análise exclusiva à Surftotal da 3ª etapa do CT 2022.

 

 

O Genial Griffin Colapinto consegue a sua primeira vitória no WT e chega a um grupo exclusivo de atletas que já ganharam uma das provas que constituem o circuito com mais estatuto do surf mundial!

 

Esta foi das provas mais desafiantes do circuito mundial, desde um vento moto cross no início da prova até uns Super com condições bastante acima da média. Foi talvez das provas mais exigentes, onde só alguém com um surf altamente diversificado conseguiria triunfar. O Colapinto foi um excelente vencedor, com uma técnica apuradíssima nos tubos, fruto do investimento que tem feito no Hawai, até ao melhor aéreo e nota do evento, foi aniquilando adversários de peso, heat após heat, até levar o caneco para casa. Treze anos depois do polémico Bobby Martinez, um surfista da Califórnia volta a ganhar uma prova do CT! Por diversas vezes fizemos referência que o Griffin era claramente a resposta ao Brazilian storm, mas os resultados tardaram em chegar.

Neste momento existem sessões filmadas pelos Cola Bros em que fico mais impressionado com o surf do irmão ao melhor estilo Brenden Margieson (Margo), mas com a vertente progressiva incorporada, do que propriamente com o Griffin. No entanto acredito que esta dupla pode-se tornar uma grande dor de cabeça para o domínio brasileiro.

 

 

 

"Está na hora de elevar o patamar e fazer uma prova digna

das condições que Portugal tem para oferecer!"

 

 

 

Mais uma vez a organização está de parabéns por ter finalizado mais uma prova com uma previsão difícil e pelo contributo que tem dado ao surf nacional e mundial. Está, no entanto, na hora de elevar o patamar e fazer uma prova digna das condições que Portugal tem para oferecer! Está na hora de sair de Supertubos quando existem melhores condições a 2 km de distância! Os fans do surf agradecem e a organização tem capacidade para a excelência.

O nosso grande representante teve mais uma vez uma excelente prestação. É clara a evolução que o surf do Kikas teve nos tubos. No Hawai, em Pipe, fez a sua melhor onda de sempre. Na competição e em Peniche mostrou bem as várias horas que tem investido numa das ondas rainhas de Portugal! Continua a manter um rigor competitivo fora de série e o seu backside tem muita qualidade.

 

 

 

"Sempre achei que a hora do Kanoa ia chegar."

 

 

 

Kanoa Igarashi. foto: Surftotal

 

 

 

Kikas perdeu para o segundo surfista mais português que temos no tour. Sempre achei que a hora do Kanoa ia chegar, pela primeira vez com a camisola amarela e bem lançado para chegar à final dos cinco melhores surfistas do mundo. É aqui que o seu surf tem potencial para estar.

Foi bom ver a estreia do Afonso Antunes na 1º divisão do surf mundial. Traz nos genes toda a informação necessária para ter sucesso na 1º divisão. Não esquecer que o seu pai João foi o primeiro português a passar um heat na 1º divisão do surf mundial, várias vezes campeão nacional e um dos surfistas que mais contribuiu para o desenvolvimento do surf português até aos dias de hoje. De certeza que este não foi o resultado que o Afonso queria, mas acredito que sendo o nosso júnior mais cotado ainda nos vai trazer muitas alegrias.

 

 

 

Afonso Antunes com o pai, João Antunes. foto: Nuno Pinto Fernandes / Global Images

 

Brazilian Storm está mais fraca sem o Medina. Com o Yago lesionado parece-me que as surpresas poderão chegar através do mais novo dos Pupos. Acredito que os americanos e os australianos estão a chegar com argumentos que vão quebrar a homogenia brasileira. Três provas realizadas, sem nenhuma vitória do Brasil!

Relativamente ao julgamento, a prova foi bem conseguida, os juízes fizeram um bom trabalho e apesar de heats muito próximos acho que conseguiram sempre identificar os justos vencedores. Foi bom ver o primeiro 10 do ano com um aéreo reverse full rotation, que foi impressionante quer pela projeção como pela secção onde foi realizado. A utilização dos heats em simultâneo, “Overlapping heats”, acabou por ser uma boa decisão, os Super oferecem condições que permitem ondas em quantidade suficiente para termos 4 surfistas na água. Uma prova que por vezes é monótona se não existirem ondas boas, acaba por ser muito mais interessante para o público em termos de espetáculo com a presença de mais atletas na água.  Torna o trabalho dos juízes mais complexo porque julgam dois heats diferentes em simultâneo e têm de estar sempre concentrados na comparação das ondas, no entanto foi feita uma boa gestão e os resultados foram corretos.

 

 

 

 

"Foi pena não termos uma surfista portuguesa em prova.

Nunca tivemos uma geração de surf feminino tão forte."

 

 

Nas meninas, onde a competição é sempre muito mais aguerrida a Tatiana foi uma justa vencedora. No entanto acho que a Carissa e a Stephanie foram as surfistas que mostraram o maior domínio nos tubos de Peniche. Foi pena não termos uma surfista portuguesa em prova, não só pelas boas prestações nas provas internacionais, mas também nos jogos olímpicos. Na minha opinião nunca tivemos uma geração do surf feminino tão forte e competente, existe muita qualidade e competitividade, e é pena não terem a possibilidade de defrontarem as melhores do mundo no grande evento nacional.

Vamos agora para Bells Beach. Se tiver condições a sério, acho que o JJ vai marcar a sua posição e fazer um resultado de acordo com o seu atual estatuto de surfista mais cotado do tour. A concorrência está mais forte. John John, apesar de ainda não ter ganho, aparenta estar num grande momento de forma e o seu surf com condições difíceis é, na minha opinião, a referência do Tour.

 

 

 John John Florence. foto: Surftotal

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