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terça, 15 outubro 2013 10:56

A FOTOGRAFIA NO SURF, COM MAURO MOTTY

“Agarra-te com unhas e dentes e dedica-te a 80%. Os outros 20% dedica-te um plano B!“

 

Fotografia… os olhos vêem e a alma sente! No seguimento da nossa mais recente rúbrica “Fotografia, o que os olhos vêem e a alma sente”, trazemos-te hoje Mauro Motty. Fotógrafo, surfista e claro um apaixonado pelo mar. Mauro, que foi apresentado pela família a esta arte, estagiou e apurou a sua técnica na revista de surf portuguesa Onfire. Actualmente em standby em relação à fotografia de surf, continua a ter como ferramenta de trabalho a sua máquina. Fomos ter com ele para desvendar um pouco da sua visão sobre o mundo e o que o rodeia…

 

SurfTotal: Porquê a fotografia?

Mauro Motty: Conseguir conciliar o que gostamos com a nossa profissão é um sonho hoje em dia, quando tinha 18 anos apercebi me que poderia fazer isso, estar na praia a fotografar dentro e fora de água, e poder surfar... isso explica o porquê.

 

O que te motiva mais nesta actividade? Fazer fotos dentro de água o que mais gostei, tentar superar medos e ir enfrentando-os é bom. Estar em zonas de pouco conforto e fazer um "fotão" é muito bom. Na verdade nunca sabes o que esperar, nos dias piores tiras boas fotos e não sabes porquê, as vezes em dias clássicos estás com tanta expectativa e não trazes resultados para casa. É um desporto único e que fala por si mesmo. 

 

Como é para ti uma ti uma foto perfeita? Ao longo dos tempos percebi que não existe mesmo fotos perfeitas, cada vez mais e mais se faz melhores fotos em lugar que pensávamos ser impossível fotografar, é um mundo que esta a evoluir sem parar. Cada vez mais fico de pasmado com as coisas que tenho visto.

 

 

Que tipo de fotografia achas mais desafiante fazer? Fotografar na água, ou fotografar surf com planos que nos mostrem cultura do lugar e o povo local.

 

Podes traçar o perfil de um bom fotógrafo? Um bom fotógrafo de surf tem que saber fotografar um pouco de tudo, não basta chegar a praia montar o tripé e apontar para o oceano, é preciso saber posicionar-se e enquadrar-se com as condições. Tem de saber fotografar pessoas/lifestyle e estar a vontade com isso. Quando fazes uma surftrip não vais querer mostrar apenas surf, a tua reportagem vai sair uma seca, é bom abrires os horizontes e apontares para o que realmente se passa a tua volta. Tem que saber triar bons lineups, e claro saber estar na água e divertir-se.

 

Quais são os teus fotógrafos referência? Djstrunz; Dustin Humprey, Dorsey, Jeff Flindt, Vilalba, Pujol, Bielman, Sherman, Chris Burkard, Todd Glaser...  sei lá, tantos!

 

Qual a tua foto que mais te marcou? A do Pedro Pinto nos Açores, na altura estava a evoluir, sentia-me bem e com vontade de me mandar a mar já maiorzinho.  

 

Tens viajado? Qual a viagem que ficou na tua memória? Tenho! Acabei de vir de São Tomé com a minha família, pedi a minha namorada em casamento (hehehhe) surfei lá umas ondas boas. Fui lá pela segunda vez porque gostei muito do ambiente da ilha. Outra viagem que  me marcou foi a Indonésia durante um mês com o António Silva, Edgar e David Luís. Foi uma viagem cheia de aventuras e riscos, a dormir ao relento sem dinheiro, muito WILD mesmo.

 

Como preparas uma viagem? Normalmente preparo tudo quase em cima da hora, na mochila de costas levo tudo o que se poder levar em relação a material. Na mala de porão levo umas teles de substituição e a caixa estanque desmontada.  Na mão levo a máquina com uma grande angular ou uma 50mm. Levo só monopé, dá mais jeito... Levo menos roupa possível para não pagar o peso extra. 

 

Qual foi para ti o surfista que mais te deu prazer fotografar? No geral sempre fotografei toda a gente e às vezes dá mais gozo sacar um fotão a um surfista menos popular, mediático ou até mesmo "paparuco" que certos surfistas profissionais. É uma questão de momento ou de estado de espírito. Houve vezes em que surfistas adoravam a foto e eu não achava piada nenhuma. 

 

Como se “cultiva” uma relação entre surfista e fotógrafo? No meu caso eu sempre fotografei os surfistas menos populares, os surfistas como o Saca, Kikas, ou Vasco tem sempre um câmara ou fotografo atrás, não é que não gostasse de os fotografar, mas como fotografo profissional achei que devia dar prioridades a outros que também tem talento e também mereciam. Dai surgiram muitas amizades que depois torna a relação mais fáciln mas mais exigente.

 

Dedicas-te só à fotografia de surf, ou abraças outros desafios? Neste momento estou em standby em relação à fotografia de surf, mas comecei com a fotografia de surf e dai surgiram outras oportunidades como a Vans (A qual sou team manager) que era algo que nunca pensei em fazer, andei um pouco às escuras mas consegui-me orientar, e vão se abrindo e fechando portas.  Já fotografei para produtoras, já fiz casamentos...já fiz muita coisa. Neste momento estou a fotografar casas para imobiliárias, faço fotos familiares, eventos e acções. Sou team manager da Vans/Rhythm e vendedor da Raen Optics uma marca de óculos que acabou de chegar agora ao mercado do surf cá em Portugal

 

Com o desenvolvimento da fotografia digital surge uma nova geração de fotógrafos, isso motiva-te a fazer a diferença? Claro que sim isso é motivo de motivação, o que desmotiva é o mercado, tens uma foto muito boa e não a vendes porque as revistas têm os fotógrafos da casa com fotos do mesmo surfista mas com momentos inferiores. Caro que sai mais barato para osmédia, mas não acho justo. Ficas contente com a foto que tiras-te e usas para o teu facebook ou uma moldura em casa. 

 

Queres deixar um conselho para quem esteja a pensar iniciar-se na fotografia? Agarra-te com unhas e dentes e dedica-te a 80% e os outros 20% dedica-te  um plano B. 

 

Planos para o futuro? Vou ser Pai e vou dedicar-me à melhor família do Mundo, a minha família!  

 

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