Lunada Bay Lunada Bay Foto: DR

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quarta, 20 maio 2015 09:06

Os ‘Bay Boys’: localismo californiano que se recusa a morrer

Em Lunada Bay, o cenário idílico é apenas aparente.

 

Lunada Bay é um local mítico para o surf em Palos Verdes, a sul de Los Angeles. Depois de descerem um inclinado caminho, os visitantes encontram uma praia calma, com vista para o Oceano Pacífico e meia dúzia de surfistas a apanhar ondas. Tudo parece idílico, todavia, se entrares, há três coisas que te podem acontecer: os surfistas podem rodear-te, pressionar-te e até atacar-te. Os seus amigos podem largar pedras do penhasco quando estiveres a voltar para cima e o teu carro pode ser vandalizado.

 

São os famosos ‘Bay Boys” - auto proclamados locais que monopolizaram o spot nas últimas décadas, com recurso à intimidação. Há pouco tempo, um jornalista e um fotógrafo do The Guardian, visitaram o local, munidos de pranchas, mas ‘undercover’. Imediatamente foram avisados que deviam abandonar o local. “Aqui há muito espaço porque nós fazemos com que assim seja. Apertamos com as pessoas. Vamos queimar todas as tuas ondas”, afirmou um homem já nos seus 50 anos. Outros homens, também de meia idade fizeram outras ameaças e garantiram que os jornalistas estavam a ser observados lá de cima do penhasco.

 

Quando regressaram ao carro, tinham ovos partidos e alguém tinha escrito com wax ‘kooks’ - calão para iniciantes. Johnny Lockwood, um surfista de Malibu, explicou que o ‘California Dream’ não é tão simples como se pensa. “Sonhava em vir para a Califórnia e tudo seria porreiro. Mas há esta espécie de terrorismo disfarçado, é como lidar com senhores de guerra”.

 

O fenómeno do localismo na Califórnia terá começado na década de 60, altura em o surf começou a ter algum mediatismo. Lunada Bay sempre foi a zona mais complicada. “A área é conhecida como uma espécie de zona de guerra”, lia-se no Los Angeles Times de 1991. Os surfistas que não eram locais acusavam as autoridades de Palos Verdes - uma região de gente abastada - de fecharem os olhos a esta realidade.

 

Chegou a ser instalada uma câmera na praia para registar incidentes, mas os locais conseguiram convencer as autoridades a retirá-la porque atrairía demasiados visitantes. No ano passado, um grupo de protestantes decidiu fazer um paddle out em grupo, para acabar com a situação. A iniciativa decorreu sem incidentes, mas também sem impacto.

 

Um membro da polícia local afirmou que se tratava de “um grupo de homens crescidos com mentalidades pequenas. Para eles parece um jogo no recreio da escola e não querem que os outros brinquem também.”

 


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