Tiago Pires com o seu mentor José Seabra, durante o inicio da carreira de Tiago. Tiago Pires com o seu mentor José Seabra, durante o inicio da carreira de Tiago. Redbull.com

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sábado, 23 julho 2016 08:55

OS NOVOS TALENTOS DO SURF EM PORTUGAL

"E há mais. Frederico Morais. É talvez o surfista Português com mais titulos nacionais, fruto não só das campanhas arrasadoras nas camadas jovens"....

Com apenas 16 anos, Teresa Bonvalot venceu o circuito europeu sub-18 da World Surf League (WSL), tornando-se na primeira surfista (feminina) nacional a conseguir um titulo internacional nas competições profissionais da ex-ASP (agora WSL).  Este enorme feito já havia sido alcançado por duas vezes por surfistas Portugueses na categoria masculina:

a primeira foi em 1999 quando um rapaz franzino de nome Tiago Pires, na altura com 19 anos, vencia a competição; a ultima foi em 2014 quando Vasco Ribeiro venceu o titulo com 20 anos. O titulo garante a Teresa um lugar na final mundial que decorrerá em Janeiro do próximo ano na Austrália.

 O denominador comum destas três façanhas – ou melhor, quatro, se contarmos com o tri campeonato nacional do Vasco Ribeiro – é o facto de estes 3 surfistas terem alcançado os seus primeiros titulos internacionais com menos de 20 anos. Repare-se:

·         Em 2013, com apenas 13 anos, Teresa venceu a primeira prova da Liga Moche, sagrando-se depois campeã nacional em 2014 e 2015, a mais nova bicampeã de sempre. Em 2015, foi vice campeã da europa, titulo que agora conquistou 4ª no mundial por Selecções da ISA e 3ª no mundial Sub-20 da WSL

·         Vasco Ribeiro, com 14 anos, foi o surfista mais novo a vencer uma prova na Liga Moche, foi campeão nacional aos 16 anos, tri-campeão aos 20, no mesmo ano em que conquistou os titulos europeu e mundial Sub-20 da WSL.

·         Sobre Tiago Pires não haverá muito mais a dizer mas, por exemplo, foi campeão da europa amador aos 14 anos, venceu uma etapa do nacional de surf com 17 anos, foi vice-campeão mundial aos 18,campeão europeu aos 19 tendo ganho o seu primeiro WQS nesse ano ficando depois mais de 7 anos seguidos na elite do surf mundial.É obra.

E há mais. Frederico Morais. É talvez o surfista Português com mais titulos nacionais, fruto não só das campanhas arrasadoras nas camadas jovens – onde ganhou todos os titulos à medida que subia de escalão – como também na Liga, onde já tem 2 titulos nacionais (2013 e 2015) numa competição na qual ganhou a sua primeira prova com 17 anos, em 2009, nos Açores. É também, e “apenas”, o surfista português mais bem classificado no ranking mundial (19º!) estando na luta – e focado - para a subida à elite do surf mundial.

Geração Z ainda não despontou.

Tem sido muito dificil à actual geração de "Centennials" do surf nacional seguir os passos destes quatro surfistas que, obviamente, elevaram a fasquia muito alto. Se considerarmos, por exemplo, o ranking masculino da Liga Moche de 2016, vemos que, do lote de surfistas nascidos entre 1998 e 2001 (ou seja entre os 15 e os 18 anos), o mais bem classificado é João Moreira, no 16º lugar, com dois 5ºs lugares. Não contando com Dylan Groen (actual 17º lugar, com 15 anos) que optou por representar outro país na WSL apesar de ter feito toda a sua formação em Portugal, Luis Perloiro, campeão regional sub 18, ocupa o 20º lugar do ranking e o seu melhor resultado é um 17º lugar. Jácome Correia, 18 anos, é o 19º classificado e combina um 5º lugar com outras classificações mais modestas. Salvador Couto, campeão nacional sub 16, o mais novo desta fornada e um novo perfume do Norte, ocupa a 35ª posição e o melhor que conseguiu foi um 25º lugar, que equivale a uma 2ª ronda, algo muito semelhante ao que Paulo Almeida (1999) e Francisco Almeida (1999) alcançaram.

No ranking masculino sub-18 europeu da WSL, Luis Perloiro, em 11º, é o surfista Português mais bem classificado (fez a final na Caparica) logo seguido pelo Jácome Correia (15º, com duas meias finais) e João Moreira (24º). A vitória numa das etapas do europeu esteve perto mas ainda não aconteceu, apesar de 2 das 5 provas já realizadas terem sido disputadas nas nossas ondas. No WQS, também devido ao elevado custo de participação envolvido, infelizmente não aparece nenhum no radar.

Existe talento, sem duvida, e esperemos que, à semelhança do Tiago Pires e do Vasco Ribeiro, que atingiram os seus melhores resultados internacionais já perto ou mesmo depois dos 20 anos, também para este grupo possa vir a glória pois há ainda uma enorme margem de progressão para estes jovens.

 
A revolução na Formação.

Tentando sempre aportar ideias, sempre fui algo critico em relação à forma como anterior direcção da FPS encarou as competições nas camadas mais jovens, não promovendo a mudança necessária e mantendo o formato de circuito nacional de Norte a Sul do país com meia duzia de provas  e portanto com claro prejuízo para a carteira dos pais e para os estudos dos miudos e em total contraste, por exemplo, com o futebol que previligia a quantidade e a proximidade das competições.

A nova direção da FPS liderada por João Aranha, levou a cabo, em 2014, uma profunda remodelação das competições de formação, num projeto levado a cabo pelo vice presidente Artur Ferreira que, basicamente, dividiu o país em seis regiões (Açores, Madeira, Norte, Centro, Grande Lisboa e Sul) as quais, apurando os seus melhores jovens em circuitos regionais com mais provas, mais categorias  e menos quilometros de estrada, contribuiu para um exponencial aumento da quantidade e, consequentemente, da qualidade dos nossos surfistas jovens.

Este trabalho a nível organizativo, juntamente com o esforço de uma nova geração de treinadores ex-surfistas, a disponibilidade (em alguns casos talvez até demasiada) e o apoio dos pais e, acima de tudo, a paixão, o talento e a dedicação dos miudos(as), está a materializar-se numa nova geração de ouro no surf em Portugal, fornada esta que está a despontar nas categorias ainda mais jovens da nossa Formação, principalmente abaixo dos 12 anos.

De 2007 a 2014, em média, participaram cerca de 190 atletas nas competições jovens. Em 2015, este número duplicou e, neste ano, foram 628 (!) o numero de atletas envolvidos, com destaque para a categoria sub 12 que meteu quase 100 surfistas (quase o mesmo numero que em França), quando em anos anteriores nem aos 20 chegava.
Nas miudas, a nova categoria Sub 16 (até 2014 havia apenas uma categoria Sub 18) conta este ano com quase 60 surfistas o que faz antever uma continuidade ao trabalho da Teresa Bonvalot e dos seus treinadores e orientadores. Preferiria não arriscar nomes, pois muitos são os que ficam pelo caminho mas é certo que não vamos esperar muitos anos até vermos os new hot 100 Portugueses a dar cartas no surf mundial.

Por João Capucho

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