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quinta, 24 julho 2014 08:45

O PRIMEIRO MAPA GLOBAL DO LIXO PLÁSTICO NOS OCEANOS FOI REVELADO

Mapeamento é inédito, mas ainda há muito por descobrir sobre a quantidade de plástico que polui os nossos oceanos.

 

Os dados sobre a poluição marítima existem e são alarmantes. Desde a presença de partículas de plástico em áreas remotas do oceano, até à descoberta de grandes aglomerações de lixo - como o caso da chamada “Grande Ilha de Lixo do Pacífico”.

 

A grande novidade reside no facto de pela primeira vez ter sido tornada pública a situação global dos oceanos de todo o Planeta. O biólogo marinho espanhol, Andrés Cózar, realizou o estudo “Detritos de plástico em oceano aberto”, onde é possível avaliar as quantidades de lixo plástico marinho à superfície, bem como a sua localização. O resultado do estudo foi publicado na publicação científica Procedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.


 


Foram identificadas milhões de partículas de plástico que flutuam e se acumulam à volta dos cinco grandes giros existentes nos oceanos mundiais (Atlântico Norte, Atlântico Sul, Oceano Índico, Pacífico Norte e Pacífico Sul), criados por correntes oceânicas circulares, que fazem os detritos ora concentrarem-se no seu centro ora serem expelidos e gravitarem nas zonas adjacentes. 

 

É para estas áreas que convergem dezenas de milhares de toneladas de lixo plástico que se vai degradando e entrando na cadeia alimentar dos seres vivos marinhos, com consequências devastadoras. Estima-se que morram cerca de 1 milhão e quinhentos mil animais (de aves a peixes, tubarões, tartarugas, golfinhos e baleias) todos os anos, devido à ingestão de plástico. 



Embora o mapa agora revelado mostre, pela primeira vez, a extensão do problema, os cientistas desconfiam que há muito mais plástico nos mares que aquele que foi identificado, só ainda não perceberam o que lhe acontece e quais as consequências que provoca. 



"Não sabemos o que é que este plástico está a fazer. Está em algum lugar, na vida do oceano, nas profundezas, ou dividido em partículas finas indetetáveis por redes", disse Andrés Cózar à revista National Geographic (NG). 



Uma das razões adiantadas por este professor na Universidade de Cádis para o facto de ter sido detectada menos concentração de partículas de plástico à superfície que a esperada - tendo em conta que a produção mundial deste material quadruplicou desde os anos 1980 - é que esses detritos minúsculos estejam a ser consumidos por pequenos peixes, que vivem na zona mesopelágica do oceano (entre os 200 e os 1.000 metros de profundidade abaixo da superfície). 



Os peixes de profundidade média do Oceano Pacífico Norte ingerem, anualmente, entre 12 mil a 24 mil toneladas de plástico  - o que equivale a 480 milhões de garrafas de plástico de dois litros ou ao peso de 132 baleias azuis.


Que efeito tem este plástico na vida marinha de alta profundidade é que talvez nunca se venha a saber, como desabafou Cózar à NG: "Infelizmente a acumulação de plástico no fundo do oceano vai modificar esse ecossistema enigmático antes que possamos realmente conhecê-lo".

 

 

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