João de Macedo, o segundo a contar da direita, com a Selecção em 2002 João de Macedo, o segundo a contar da direita, com a Selecção em 2002 Foto: Arquivo pessoal

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sexta, 31 julho 2015 08:41

João de Macedo explica o "culto do troféu"

'Massas' recorda uma experiência como Selecionador Nacional para o Campeonato Europeu em Mimizan, França, no ano de 2002.

 

João “Massas” de Macedo nasceu nos Estados Unidos em 1977 e mudou-se para Portugal com 7 anos de idade. Aprendeu a surfar nas ondas atlânticas da Praia Grande, em Sintra. Surfista profissional desde 1993, competiu em circuitos nacionais e europeus, representando a seleção nacional portuguesa como júnior em 1994 e 1995. Realizou o sonho de competir internacionalmente em Pipeline, no Havai, em 2001. Manteve sempre a sua vida académica ativa, recebendo o seu diploma em Economia pela Universidade Nova de Lisboa, em 2000 e complementou a sua licenciatura com um curso oficial da Australian Surfing Federation. Com estas formações, iniciou um projeto empresarial do qual ainda hoje faz parte, a Portugal Surf Academia. Em 2002, completou o nível 2 do curso da Federação Portuguesa de Surf. Nesse mesmo ano, trabalhou como treinador Nacional de Seleção Portuguesa de Surf, ano em que a seleção foi vice-campeã europeia. Neste momento é o único surfista europeu na WSL na competição Big Wave World Tour. Divide o seu tempo entre a família e a competição, estando fundamentalmente entre os Estados Unidos e Portugal. 'Massas' vai ser uma das personalidades ligadas ao surf a partilhar connosco experiências de uma vida ligada ao mar. Esta é a primeira.

 

"Uma experiência engraçada do culto do troféu!"



 

Em finais do Verão de 2002, o Rui Félix do Surfing Clube de Aveiro e Diretor Técnico Nacional e o Presidente da FPS na altura, Guilherme Bastos, convidaram-me para ser Selecionador Nacional para o campeonato da Europa em Mimizan, França. Deram-me a entender que precisavam de um resultado forte, o surf estava a passar uma má fase a nível nacional, o que fosse possível da minha parte era espetacular, mas eram tempos difíceis. Como eu já tinha representado a Selecção como surfista, sentia sempre um enorme orgulho em poder representar Portugal, aliado a isso estava num forte ritmo como treinador e em fase de consolidar a pesquisa que levou à primeira versão do manual da Surf Academia onde estava descrito pela 1ª vez o Método 7 intitulado: "Livro 7 - Como Ser Surfista" lançado em 2004 - que agora é a base para a nova versão que foi relançada como "Ser Surfista - Manual de Iniciação e Alta Performance".

 

Voltando a 2002! O João Zamith ofereceu-se como Selecionador-Adjunto, e eu já o tendo conhecido, dado a amizade que ele tinha dos campeonatos com amigos meus do BodyBoard como o Gonçalo Faria, Paulo Costa e outros - tive logo imensa confiança nele - agora era o desafio de basicamente, sem recursos, escolher e tentar treinar um bocado a nossa equipa de surfistas!

 

Nesta fase da minha carreira como treinador, tinha já fundado a Praia Grande Surf Academia em 2000, mas tinha neste ano em que fui Selecionador (2002), pedido apoio a um grande amigo que ainda hoje é meu sócio na Portugal Surf Academia, o Pecas (Pedro Monteiro) para fazer parte da empresa, na altura lembro-me de lhe dizer que seria péssimo perdê-lo para uma empresa de engenharia e que um surfista do calibre de surf dele, só fazia sentido ficar ligado ao surf como profissional - pedi-lhe para me ajudar a gerir e levar a Academia para a frente - na altura ele estava a estudar e só anos mais tarde é que me agradeceu - mas é um obrigado mais ou menos, porque tanto suor, lágrimas e sangue de esforço está associado também às alegrias de sermos profissionais do mundo do surf. 


A presença do Pecas ajudou-me totalmente, especialmente a nível mental, a continuar a ter inspiração para a Academia e para dar treinos intensamente a um grupo de trabalho - que foi fundamental para a definição do Método 7 e com que temos grande orgulho ainda hoje em dia na Academia - o grupo de treino incluía, o Nic (Von Rupp), o Tomás (Valente), o (João) Guedes posteriormente à Selecção, o (Francisco) Laranjinha, e o Pedro (Pinto).

 

Assim, o Método 7 foi o que mais me deu confiança para aceitar o desafio de ser Selecionador Nacional - ou seja estava tenso, sem dúvida, mas queria provar que éramos fortes - tínhamos surfistas nos quais eu tinha muita confiança, mas tinha sido muito difícil escolher - desde o João Guedes, ao Edgar Nozes, ao Pedro Sousa e Miguel Mouzinho, a Vanessa Monteiro passando pelos BodyBoarders, o João Pelágio no Longboard da equipa, o Miguel Inácio, o Tiago Matos, o Zamith... ficámos todos amigos, mas a verdade é que quando chegámos a Mimizan, parecia a reunião das super Selecções! Pela Alemanha estava o Marlon na altura; o Gony por Espanha, o Jeremy (Flores) pela França, a Inglaterra acho que tinha o Reubyn Ash entre outros super talentosos surfistas que tinha sido convocados pelas várias Federações de Surf da Europa. As sessões de free surf antes do campeonato começar foram incríveis mas também intimidantes!

 

Em cima disso, "putos são putos", então fui lembrado agora há pouco tempo pelo próprio Mouzinho, que ele e o Sousa estavam sempre a ser aterrorizados pelo Edgar (Nozes), todos em geral queriam só fazer porcaria, comer doces o dia todo, acordar tarde, enfim... isto entre momentos de grande esforço de todos, grande união entre os surfistas, os bodyboarders, a equipa técnica... aquele espírito que se vive na Selecção!

 

Por isso, depois de muito trabalho, esforço e concentração, nas condições que depois ficaram mínimas para o campeonato, o título de campeões foi perdido para a França, mas ficámos com o título de vice-campeões, e isso soube a vitória total!

 

Então, eu e o Zamith, (admito que a ideia foi minha!) - decidimos ficar com o troféu e de trocar entre as nossas escolas de surf, mas depois fiquei imenso tempo sem o ver e não troquei - para ser ele a ficar um bocado com o troféu! - pensámos depois daquilo tudo, das condições difíceis que tínhamos aceitado, ficar com o troféu uns tempos até nos pedirem, não era maldade nenhuma! E foi assim, que passados umas semanas, talvez um mês e pouco do troféu de vice-campeões da Europa ter estado uns tempos na garagem da Surf Academia, o Guilherme pediu-me para uma gala ou qualquer coisa: "Então o troféu!!??",  e eu claro, respondi: "Estava à espera que me perguntasses!" - lá fui entregar, meio envergonhado, mas sempre orgulhoso porque o resultado final tinha sido excelente!


João “Massas” de Macedo

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