Aos 25 anos, Kikas é um dos surfistas da elite mundial. Aos 25 anos, Kikas é um dos surfistas da elite mundial. Foto: Poullenot/WSL

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quinta, 05 janeiro 2017 16:53

KIKAS: “NA MINHA FAMÍLIA ENSINARAM-ME A NUNCA DESISTIR E LUTAR SEMPRE"

A entrevista com Frederico Morais, após a tão ambicionada qualificação ao World Tour… 

 

Corria o dia 21 de dezembro quando Frederico Morais chegou ao Aeroporto da Portela e, apesar da hora tardia, foi recebido por centenas de fãs e amigos em completa euforia. Não era caso para menos, pois o surfista português trouxe na bagagem um feito muito importante - a qualificação à World Championship Tour, a divisão máxima do surf profissional. 

 

O atleta cascalense, que foi o segundo português da história a alcançar tal feito, completou 25 anos de idade no passado dia 3 de janeiro. Seguramente, uma boa altura para revelar a entrevista que concedeu durante essa inesquecível e calorosa receção a Portugal. 

 

Esperavas uma receção tão calorosa e um apoio tão grande?

Não, sinceramente não esperava. O apoio tem sido incrível, inacreditável mesmo. As pessoas têm vibrado comigo e isso, sem dúvida alguma, tem sido uma ajuda extra que me deu ainda mais vontade de alcançar este sonho que posso agora partilhar com todos. Chegar aqui e ter as pessoas todas, do meu lado, a apoiar, a gritar, a vibrarem, tanto ou mais do que eu, é simplesmente incrível e deixa-me de lágrimas nos olhos. Este é um momento único, que é para celebrar nesta altura, mas sei que vou começar tudo de novo novamente. Este trajeto [o da Qualifying Series] acabou, agora é tempo de celebrar e começar 2017 com os pés bem assentes na terra. É hora de voltar à luta, voltar a tentar representar Portugal ao mais alto nível. Resta-me esperar por mais receções destas...

 

"Chegar aqui e ter as pessoas do meu lado, a apoiar e a vibrarem,

é simplesmente incrível e deixa-me de lágrimas nos olhos"

 

 - Um senhor rasgadão em Haleiwa. Foto: WSL/Ed Sloane

 

Antes da perna havaiana, com apenas dois QS10000 por disputar, ocupavas a 28.ª posição no ranking. Como é voltar a Portugal com a entrada no World Tour garantida?

É simplesmente incrível. Eu sabia que ia entrar. Se não fosse este ano, seria noutro ano. Eu não ia desistir, este é o meu sonho. Na minha família sempre me ensinaram a nunca desistir e continuar sempre a lutar, doa o que doer. Foi o que acabei por fazer. Quando saí de Portugal sabia que estava numa posição difícil para me qualificar, mas tinha três etapas pela frente e sabia que precisava de bons resultados. Comecei com um 5.º lugar no Brasil e dois 2.º lugares no Havai e isso acabou por dar-me a qualificação. Foi um mês duro, com muitas emoções à mistura, muita ânsia, mas valeu a pena. O apoio foi inacreditável. 

 

"Na minha família ensinaram-me a nunca desistir e continuar sempre a lutar"

 

Depois da qualificação assegurada, qual o momento que ficou gravado na tua mente?

É esta chegada, sem dúvida alguma. Ter toda a gente aqui, a minha família, amigos, as pessoas que me conhecem e acompanham pela internet, acordados às tantas da manhã para verem os meus heats, a torcerem por mim,… bem,  uhhh… dá-me arrepios só de ver as pessoas aqui, comigo. Não podia estar mais feliz de chegar a casa. 

 

"Foi um mês duro, com muitas emoções à mistura, muita ânsia, mas valeu a pena"

 

Segue-se agora o merecido descanso com a tua família na época festiva. Já tens alguma ideia de quando será a partida para a Austrália de forma a começares a preparar 2017? 

Quero estar na Austrália no fim de janeiro, início de fevereiro, pois quero continuar a competir na Qualifying Series. 

 

“Tenho certeza que ele [Ryan Callinan] vai voltar em grande no próximo ano"

 

- Novamente no Havai, a atirar muita água para o ar. Foto: WSL/Cestari

 

E vais continuar a fazer equipa de treino com Ryan Callinan [juntamente com o treinador Richard “Dog” Marsh] que é uma pessoa importante neste teu percurso e que sempre te apoiou?

Sim, sem dúvida alguma, vou continuar a preparar-me com o Ryan Callinan. Um dos meus sonhos era também que ele se tivesse qualificado comigo, pois é um dos meus melhores amigos. Quando chegámos ao Havai ele encontrava-se em 9.º lugar [na Qualifying Series]. A seguir a Haleiwa ele continuou em 9.º e eu subi para 10.º lugar. Infelizmente, ele não conseguiu manter essa posição em Sunset Beach. Seja como for, tenho certeza que ele vai voltar em grande no próximo ano e vai também fazer-me companhia em alguns WCT’s. Vai ser um ano em grande. 

 

“Não posso esconder que quero muito surfar em Jeffreys Bay"

 

Relativamente ao calendário da WSL. Qual a etapa em que mais ambicionas participar?

Uhhh… Acho que a etapa portuguesa, onde já participei, vai ser muito especial. Acho que o facto de ser um atleta residente, português, torna agora ainda mais especial competir em Peniche. Contudo, não posso esconder que quero muito surfar em Jeffreys Bay [na África do Sul]. Acho que é um tipo de onda que se adequa muito ao meu surf. Eu já lá estive este ano (ver aqui) e mal posso esperar para competir por lá.

 

"Sei que vai ser um ano difícil, mas é disso que eu gosto - de desafios"

 

Que esperas para a nova temporada?

Sei que vai ser difícil. Sei que vai ser um ano muito difícil, mas é disso que eu gosto - de desafios. Vou dar o meu melhor! Sei bem o que tenho que fazer, sei bem o que tenho que melhorar, sei bem onde tenho que evoluir, e vou começar esse trabalho em 2017. Vou começar do zero, a minha etapa do WQS já posso tirar da lista, agora é começar e focar no World Tour. 

 

 

#GoKikas

 

>> LÊ TAMBÉM: A CARREIRA DE FREDERICO MORAIS

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