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domingo, 27 outubro 2013 10:50

JADSON ANDRÉ: SURFAR, ORAR, VENCER

A Surf Total falou com o surfista depois da vitória.

Foi o grande vencedor do Cascais Billabong Pro. Quase ninguém reparou nele, no início da prova, no meio de tantas estrelas do WCT e não só. Mas havia uma força interior e uma fé e crença que tudo podia acontecer que levaram o brasileiro Jadson André até ao pódio na praia de Carcavelos.

Portugal é aliás um sítio especial para ele. Foi aqui que ontem garantiu o regresso à elite do surf mundial (ficando assim entre os 34 surfistas que vão disputar o WCT em 2014) e foi aqui que, em 2009, se qualificou pela primeira vez para o tour, depois de ser finalista nos Açores.

Ao sair da água, era o mais requisitado. Veio em ombros, sem largar a bandeira do seu país, subiu ao pódio, mas antes ainda houve tempo para rezar. Depois do pódio, tentámos falar com Jadson. As solicitações eram mais que muitas. Depois de um tempo, lá conseguimos, numa entrevista conjunta, mas que deu para sabermos muito mais sobre este jovem de 23 anos. Não hesitámos e perguntámos tudo.

Por Patrícia Tadeia



Estavas mesmo emocionado na final?

Muito, antes de ter chegado na areia, eu já tinha chorado muito dentro de água, faltavam dois minutos e não estava mais me controlando, porque passei por vários momentos difíceis. No ano passado, tive 3 lesões, esse ano, eu quase perdi o meu irmão mais novo. Muita coisa aconteceu esse ano, e eu estava precisando de um resultado. Passei por algumas dificuldades com a minha família, então ficou difícil me concentrar, porque a minha família está sempre em primeiro lugar, e graças a Deus o meu irmão conseguiu se recuperar, ele está bem agora, e eu dedico essa vitória a ele, e faço-o de novo: Essa aqui é para tu, ó Cabeçudo!



Qual é a importância que Portugal tem para ti?

Portugal é um lugar especial, fui campeão mundial aqui, em 2009, quando eu entrei no WCT pela primeira vez, eu fiquei 100% garantido depois do evento que teve aqui e agora, eu precisando de pontos, vim aqui vencer de novo, por isso eu tenho uma conexão muito positiva com esse lugar, é muito especial para mim. Não sei se é porque eu gosto muito daqui, ou se é porque as pessoas gostam muito de mim, ou se é os dois. É um lugar especial, sem dúvida.

 

O que se segue agora?

Agora vem o Havai, faltam menos de 2 semanas, serão 3 eventos lá e tenho de estar bem preparado. Principalmente, fisicamente. Por isso, se balançar muito hoje... Eu sou um cara que não bebo, por isso se passar um pouco dos limites eu fico aí uns dez dias para me recuperar (risos). Antes de tudo, vou agradecer muito a Deus, orar muito, agradecer pela vitória, e depois, só Ele sabe.

 

Quando chegaste ao pódio, ficaste uns minutos com a bandeira na tua cara, sentado. Em que estavas a pensar?

Estava rezando, orando, agradecendo a Deus pela vitória, porque eu sou um cara muito religioso. Não sou um cara que vá muito à igreja, acho que faz uns 10 anos que não vou, mas eu tenho uma relação com Deus muito forte, sempre converso com ele, todas as minhas tatuagens falam de Deus, eu fiz agora uma para o meu irmão, que fala “Força irmão, que Deus é o Deus do impossível”, porque ele tinha ficado 12 dias em coma, ele sofreu um grave acidente, quebrou as duas pernas, as costas... Tenho outra tatuagem no peito que foi noutro momento mais difícil da minha vida, em que eu tive três lesões. E é muito fácil você estar agradecendo a Deus quando você está no auge, então, eu sou um cara que sempre está agradecendo.

 

Sentiste o apoio dos portugueses?

Sem dúvida, eu tenho uma conexão muito grande aqui com Portugal, eu tinha certeza que na bateria final, eu e um americano, quase 100% da praia ia estar torcendo por mim.

 

Vocês brasileiros também são muito unidos, sentiste o apoio deles?

O brasileiro tem muita paixão pelo que faz, independente se é um joguinho de rua ou de baralho, seja o que for, os brasileiros colocam muita emoção. E, sem dúvida, a galera estava torcendo e ficou feliz por mim. E agora é só comemorar.

 

O que vais fazer?

Eu vou para casa comer, que ainda não comi nada! E provavelmente vou ver o Tony Hawk... Enfim, estou amarradão! (risos)



Este foi um resultado importante para o circuito mundial?

Vim para cá com o objetivo de trocar 250 pontos, e troquei 250 por 6500! Então é uma grande diferença! O meu objetivo aqui era trocar o meu menor resultado e foi alcançado... e como foi! (risos)



Com a tua vitória, o Adam Melling venceu o Moche Series – Cascais Trophy. Sentes-te de algum modo responsável pela vitória do Adam e derrota do Conner Coffin? O Adam já te agradeceu?

Já me deu um abraço, ali, ele já estava mais doido que os loucos (risos). Australiano gosta muito de uma cerveja (risos)... Mas o Conner [Coffin] é um moleque muito concentrado, inteligente, sangue bom, ele sabe que faz parte. É uma comparação um pouco estranha, mas o Mick Fanning poderia ter sido campeão em Peniche. Ele não pode se lamentar, tem de continuar focado, e acredito que o Conner pensa da mesma forma.

 

Para quem estás a torcer nesta etapa final do World Tour?

Segredo, mas o Mick sabe! (risos)

 

 

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