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sexta, 04 abril 2014 13:42

KELLY SLATER E A SUA MARCA: QUE FUTURO?

João Capucho falou à SurfTotal sobre o tema.

Por Patrícia Tadeia 

Já passaram alguns dias desde o anúncio da "separação" entre Kelly Stater e a Quiksilver. Mas afinal, que consequências pode ter este "divórcio" para a marca? E o que procura o 11 vezes campeão do mundo ao criar uma nova marca? Todos nós, mesmo aqueles que desconfiaram de que se tratava de uma brincadeira do Dia das Mentiras, têm uma opinião sobre o tema. A SurfTotal foi saber o que pensa o ex-presidente da Associação Nacional de Surfistas (ANS) e comentador da Liga Moche, João Capucho, sobre o tema. 

 

Como viste o anúncio do Kelly? Acreditaste que era mesmo verdade? 
De facto não foi um bom dia para comunicar e fiquei desconfiado, mas um assunto tão sério no dia do arranque da segunda prova do WCT ser uma brincadeira de 1 de Abril seria não uma brincadeira de mau gosto mas uma total irresponsabilidade. Ao nivel do futebol, seria como anunciar que o Ronaldo sairia do Real Madrid no dia de um jogo em plena época. 
 
 
A que se pode dever, a teu ver, esta saída?
Vários fatores poderão ter pesado. Desde logo, o fator desportivo. Kelly Slater não é um super-homem. Tem 42 anos, não vai ganhar sempre e teria sempre de anunciar uma retirada da competição. Aqui, antecipou a saída de uma equipa, quem sabe, 7 meses antes de anunciar que sai da competição. Depois há claramente motivos financeiros. Supostamente Kelly Slater terá cerca de 3% do capital da Quiksilver, algo que, a preços de mercado pode valer algo entre 25 e 35 milhões de dólares. Tem o seu projeto de piscinas de ondas artificiais nos carris e talvez uma posição financie a outra. Logo, creio que a criação da sua própria marca já estava feita antes deste anúncio. E a marca pode ser uma marca de desporto, na qual, uma piscina de ondas também encaixa bem.

 

Que consequências pode ter para a Quiksilver? Achas que prejudica a marca?
Os indicadores da Quiksilver não são os melhores. Tem 4 anos consecutivos de vendas globais a cair (cerca de 1.8 mil milhões de dólares), tem uma margem operacional curta que não passa os 3% e, quem sabe, a sua saída até pode aliviar os custos ou mesmo ter sido forçada pelos acionistas da Quiksilver, maioritariamente detida por fundos de investimento e institucionais cuja "alma surfista" se pode resumir a 2 linhas: a das receitas e a dos custos.

 

A criação de uma marca própria pelo 11 vezes campeão do mundo não deve ter problemas em vingar. Concordas?
Não há grandes casos de sucesso de marcas de ex-atletas. Roger Federer no ténis lançou há pouco a sua (RF) mas tem um árduo caminho pela frente. No entanto, o percurso das piscinas de ondas e o potencial de aqui empacotar outros bens e serviços - e mesmo utilizar os canais da Quiksilver para distribuir - pode vir a ajudar.

 

Achas que Kelly pode ir buscar outros atletas a outras marcas?
Tenho dúvidas. Creio que não investirá na alta competição, mas sim nos eventos, nas suas piscinas. E patrocinará o sonho de ser surfista a milhares de pessoas por todo o mundo, mesmo onde não há mar, mas haja gente e clientes. 

 

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