Operar o drone a baixa altitude é um dos maiores riscos, mas também o que mais compensa. Operar o drone a baixa altitude é um dos maiores riscos, mas também o que mais compensa. Foto: Máquina Voadora

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quinta, 23 março 2017 17:30

A máquina que gera milhões de visualizações

Chama-se Máquina Voadora e esta não é a primeira vez que dá que falar… 

 

Há não muitos anos atrás, o que contava verdadeiramente era o papel, os jornais e as revistas, a tiragem que cada um ostentava, a circulação e a correspondente venda em banca. Nos últimos anos, com o crescimento exponencial do mundo digital e da World Wide Web, o que passou a mandar no mercado são os “views”. E, neste campo específico das visualizações há uma marca portuguesa que se destaca das demais. Chama-se Máquina Voadora, opera exclusivamente com drone e ficou conhecida pelos ângulos invulgares que tem vindo a proporcionar. 

 

Um vídeo que se destacou num concurso internacional, um tubão de Pedro Boonman nos Super que se tornou viral, o filme que passou em exclusivo na Surfer Magazine ou a filmagem que acabou por fazer parte de um anúncio que passou no intervalo da Super Bowl da NFL, cujo espaço (tempo) é referenciado entre os profissionais do marketing e publicidade como sendo o mais caro da atualidade; são alguns dos feitos da equipa da Máquina Voadora recentemente. 

 

O último prende-se com o episódio dramático de Pedro Sccoby e Lucas Chumbinho numa das ondulações que varreu a Praia do Norte no Carnaval. O swell foi um dos maiores da temporada e acabou por captar o interesse de vários meios internacionais. Inicialmente foi partilhado pela World Surf League, mas acabou por ser usado pela Red Bull, National Geographic, Weather Channel, pelo famoso Der Spiegel e em mais de 50 canais de televisão só nos Estados Unidos, tornando-a já numa das imagens mais divulgadas de sempre da Nazaré, registando mais de 20 milhões de visualizações à escala mundial.

 

O momento é deveras arrepiante, intenso q.b. e merece uma observação da vossa parte já de seguida. Entretanto, um pouco mais abaixo, logo após o vídeo, Pedro Miranda, partner na Máquina Voadora, concede-nos uma entrevista exclusiva onde fala deste episódio e dos desafios nos dias que correm para um operador de drone

 

 

Depois daquele vídeo do Boonman, no ano passado, este foi o vídeo em que conseguiram mais views?  

Sim, este foi de longe o nosso vídeo mais visto desde sempre. Já por algumas vezes divulgámos vídeos que atingiram as muitas centenas de milhar e em algumas ocasiões atingimos mesmo a marca do “milhão”, como foi o caso do tubo do Boonman em Supertubos no ano passado ou o vídeo do duplo wipeout do Chumbinho e do Porcella em Dezembro passado, mas nunca nada nesta escala das dezenas de milhões. 

 

Que tipo de dificuldade encontra um operador de drone num ambiente volátil como a Praia do Norte?  

A Praia do Norte sempre representou para nós um enorme desafio, e é talvez dos locais mais difíceis em que já operamos. As dificuldades existem a todos os níveis: Num dia gigante como o de 28 de Fevereiro, o palco de operações é enorme, é uma grande distância até ao outside e o primeiro pico deve estar quase a um quilómetro do terceiro pico com a ação espalhada por uma área tão vasta e com uma autonomia de poucos minutos por voo, a logística da operação é um pesadelo, já que envolve muitas idas e voltas só para mudar baterias e fazer backups da footage, momentos esses em que a ação não pára e em que temos que controlar rádios, estar atento às equipas e a toda a dinâmica da sessão. É uma operação frenética sempre com grande tensão e adrenalina. Nos dias maiores, a maresia e o spray das ondas sobem a muitas dezenas de metros de altura, pelo que manter a lente limpa e o drone seco é virtualmente impossível, já se deu o caso de conseguirmos captar momentos únicos e a footage ficar simplesmente inutilizada pela lente estar demasiado molhada. Muitos destes dias maiores representam também momentos de chuva ou vento forte, muitas vezes no que consideramos ser o limite das condições para operar o drone. Mas talvez a maior dificuldade que enfrentamos hoje em dia esteja relacionada com o facto de estarmos a tentar obter ângulos a mais baixa altitude, algumas vezes estamos propositadamente abaixo do nível da crista da onda que, por sua vez, vem tipicamente a 60/70 km/h na nossa direção, não há muito espaço para erros e o risco de perder o drone é alto, mas é também nesses momentos que temos conseguido as melhores imagens.

 

 

Vinte milhões de views é muita fruta. Por onde já passaram as imagens para que possam ter conseguido tal marca?

Inicialmente foram difundidas no WSL e 24h depois abriram o último clipe “Sessions" da Red Bull, nos dias que se seguiram fechámos também licenças com o National Geographic, o Weather Channel, o “The LAD Bible”, o “Der Spiegle”, a RTL, e muitos outros meios nas redes sociais e meios tradicionais, o video passou também em muitos canais norte-americanos, e um pouco por todo o globo em editoriais, redes e programas de TV. De todos estes meios, o National Geographic foi o que teve mais impacto, com mais de 12,5 milhões de views só no Facebook, tudo somado (o que conseguimos quantificar) o vídeo ultrapassa já os 20 milhões de views agregadas.

 

Como veem vocês as novas regras para drone que foram recentemente instauradas em Portugal?  

Vemos com bons olhos, é um bom primeiro passo para a organização deste mercado no sentido de o tornar mais seguro, transparente e organizado para todos os seus participantes e terceiros. 

 

As imagens que captam são fabulosas, mas Portugal é um meio pequeno e nem sempre parece aberto a acolher estas oportunidades únicas. Qual é na verdade o vosso mercado?

Como mercado, Portugal é ainda um meio pequeno e pouco expressivo neste campo (consumo de imagens aéreas). Assim, o nosso mercado é efetivamente o mercado global em áreas tão distintas como a indústria de Surf, Publicidade, produção de documentários e agências noticiosas. Sendo um projeto assumidamente muito focado no nicho do Surf, para nós Portugal representa uma oportunidade única não como mercado mas em termos de zona geográfica para a produção de imagens relacionadas com este nicho, quer pela beleza e particularidades únicas da nossa costa, quer pela performance que se consegue registar de forma consistente ao longo de todo o ano, mas acima de tudo pela procura exterior que existe de conteúdos relacionados com Surf em Portugal, já que o nosso país se está cada vez mais a assumir como uma espécie de “Califórnia da Europa”. Portugal tem hoje, inequivocamente, uma importância enorme no panorama do Surf Mundial. 

 

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// Entrevista: AF 

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