Matt Wilkinson venceu em Bells o segundo CT consecutivo. Matt Wilkinson venceu em Bells o segundo CT consecutivo. Foto: WSL

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terça, 12 abril 2016 14:02

ANÁLISE: OS CASOS DO RIP CURL PRO BELLS BEACH

Pedro Barbosa, juiz internacional, faz a análise exaustiva da segunda etapa da Championship Tour que terminou no início do mês…

 

Bells Beach, uma das três provas da perna australiana do World Tour, demonstrando a relevância que o surf tem no país dos” Kangaroos”. Para muitos espetadores e eventualmente alguns surfistas, não é a prova mais interessante e emotiva do tour, muitos preferiam que fosse em Winkipop. Pessoalmente também gosto mais, no entanto, não consigo deixar de ficar empolgado com o surf em Bells, especialmente com a música dos AC/DC “Hells Bells” como banda sonora. É claramente uma prova onde se distingue o trigo do joio, para se ser o melhor do mundo há que surfar esta onda com distinção.

 

A prova foi progredindo com ondas razoáveis, nas fases finais esperava-se condições de gala mas o onshore tirou algum brilho ao resultado final da prova. Este é claramente o ano dos “rookies”, apesar de não existir um nome muito sonante, temos um grupo bem preparado para enfrentar estrelas de topo do tour.

 

Nas fases iniciais da prova surpreendeu-me pela positiva: um John John, que, ao contrário da sua prestação em Snapper, continua muito aquém das suas capacidades, mas, como o próprio reconheceu, é claramente um dos seus pontos fracos. Apesar de perder prematuramente no round 3, com Caio Ibelli, esta onda tem uma manobra fora de série. O tour necessita deste surf para continuar a ser atrativo como tem sido nos últimos anos. Parafraseando o ‘Pottz’: “You need to be a freakish talent to make a turn like this.”

 

 

Outra agradável surpresa foi o surf apresentado pelo Italo Ferreira. Em anos anteriores era da opinião que ainda era bastante diferente dos surfistas de topo, no entanto, tenho de dar mão à palmatória e neste momento o Italo é “knees of steel”. É, sem dúvida, um dos surfistas mais sólidos e interessantes de ver. Quase sempre faz duas ondas excelentes, tem muita velocidade, rail com alguma qualidade e atira-se às secções que nem um leão. O seu surf está mais harmonioso, é super consistente conseguindo chegar quase sempre a fases avançadas da prova.

 

 

Melhor performance

O surfista com a melhor performance coincidiu com o vencedor do evento. O “backside attack” do Wilko é de facto diferente e com muita qualidade, os ataques ao lip na zona mais crítica, com os seus caraterísticos “tail release”, estão a surpreender tudo e todos, bem como a consistência com que o faz, mesmo em momentos mais difíceis conseguindo inverter resultados de heats a seu favor. Well done!

 

O surfista com Fator X

Ainda não consigo acreditar que vamos perder o melhor surfista do tour, segundo o próprio: “Quer tornar o seu surf mais excitante e menos monótono”. Desculpa Mick, mas não é necessário. Agradecemos a procura pela perfeição, mas os exemplos de retirada temporária do tour não têm sido nadas positivos: Andy, Slater, Dane Reynolds… Acredito e espero que consigas ser diferente. Vou sentir saudades de ondas como esta:

 

 

Reparem no “reentry” super crítico e a velocidade que gera quando sai desta manobra para um “carve” perfeito finalizando com uma manobra a chutar o tail. Na minha opinião, isto é do melhor que existe no tour. 

 

O surfista em ascensão

Um rookie, Conner Coffin, media darling americano, primeiro ano no tour e número 2 do mundo. Rapaz educado e bom surfista. Ainda não me enche o olho. Sorry, mas preferia o teu antigo treinador, Brad Gerlach, nos tempos áureos. Queria também enumerar o Jordy (que subiu 22 posições). O seu surf, numa onda que lhe encaixa na perfeição, teve longe de prestações de anos anteriores e o seu surf esteve lento no rail e nas transições. Valeram-lhe as condições difíceis e o atiranço às secções para chegar com todo o mérito à final do evento. É evidente que está a recuperar de uma lesão mas aguardamos pelos seus fortíssimos carves e surf progressivo que continuam a ser uma referência no tour.

 

 

Obviamente condições diferentes, mas estamos à espera de um Jordy mais "sharp", como neste vídeo, há dois anos.

 

 

As ondas e as decisões dos calls

As ondas não estiveram muito “clean” e foi pena os homens não terem desfrutado um pouco mais dos dias de offshore durante o período de espera do evento. Penso que algumas fases da prova poderiam ter sido realizadas em Winkipop, pois a espetacularidade do evento teria sido beneficiada.

 

O julgamento e os casos da prova

Como espetador fiquei com algumas dúvidas no heat do John John com o Caio Ibelli. No local é sempre diferente, mas creio que teria dado a vitória ao grande João. Mas esta é a história dos heats renhidos… umas vezes dá, outras não!

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